CONSTRUINDO A NAVE EXECUTOR

CONSTRUINDO A NAVE EXECUTOR

SCRATCHBUILDING THE SSD EXECUTOR


 

A cena de abertura do filme Guerra nas Estrelas, quando aparece pela primeira vez a nave da Princesa Leia ,a Blockade Runner, de forma muito real, foi de impressionar qualquer um.. Mas logo em seguida, descobrimos do que ela estava fugindo, quando, visto por baixo em toda sua imponência, o gigantesco Star Destroyer imperial ameaçadoramente se apresenta. Era de deixar qualquer espectador de caixo caído.

Foi o que aconteceu comigo.Pela primeira vez, víamos naves gigantescas e realistas.Até então, tínhamos visto apenas naves pequenas, tipo caça, nos filmes “espaciais”, pois as naves gigantes, eram quase impossíveis de serem representadas pó maquetes.  Claro, tivemos  a Discovery de Douglas Trumbull,  em “2001: Uma Odisséia no Espaço”cuja própria maquete teve de ser muito grande para parecer real. Mas era uma nave “clean”, asséptica. Em SW, não, pela primeira vez viamos naves desgastadas, batidas pelo tempo e pelejas em inúmeras batalhas, como os velhos destroiers da 2ª Guerra. Esta foi uma das inúmeras inovações da Saga, que deu fama e fortuna ao seu criador, George Lucas .

Mas foi quando assisti a “O Império Contra-Ataca” que meu queixo caiu de vez. Antes, já estava vidrado com o design e realismo da Galáctica, da série de TV, construída por Gordon Dykstra e sua equipe, mostrando que SW estava fazendo escola.   A ILM estava apenas  no seu nascedouro.

Mas no “Império” quando apareceu o Super Star Destroyer Executor, a nave capitânea da frota imperial, comandada  pelo próprio  Darth Vader, com seus propalados 11 km de comprimento foi que  cismei  de que tinha de ter uma daquelas.

Já tinha construído uma Galáctica (veja fotos em outro local deste site) e aquele deveria ser o meu maior desafio de modelista.

Primeiro, os planos. Mas encontra-los aonde, naqueles tempos sem internet? Tinha um projetor Super-8 (nem vídeo eu tinha na época) e a fita de “O Império”, que deve ter até furado nas cenas com esta nave, do tanto que a passei e repassei, para pesquisar os detalhes e até mesmo fotografá-la direto da  projeção. Eram muitas dúvidas.Qual a relação proporcional entre suas medidas de comprimento, largura e espessura? Qual o formato correto  do “casco” e, dúvida atroz, quantas turbinas possuía ao todo? Tinha alguma literatura legal, como The Official TESB Collectors Edition, The Art of TESB e TESB Sketchbook

Contatos com amigos modelistas tupiniquins (meu brother César Ricardo, Rogério Bonito, Marco DiStefano, Fábio D’Angelo, Marcelo Conforto, Carlos Henrique Zangrando...), e de fora – o francês Jean Christophe Carbonel, e o americano Gordon Dykstra – com a troca de calhamaços de xeroxes e cartas que nos matavam de expectativa pelas longas demoras  me proveram de mais alguma coisa, mas ainda faltava  precisão.

Foi quando resolvi beber direto na fonte: escrevi a Lorne Peterson, o chief-modelmaker da Industrial Light and Magic-ILM, complexo (na época, ainda não tanto) criado por Lucas em San Rafael-CA, para cuidar dos efeitos especiais de sua Saga.

Confesso que  não foi com muita surpresa que um dia abri a minha  Caixa Postal  e encontrei um envelope “rechonchudo” (destes revestidos por plástico com bolhas de ar por dentro ) com o timbre da ILM. Quase sofri um enfarte. Mas digo que não foi com muita surpresa no sentido de que todos os estúdios, profissionais e pen-pals americanos sempre foram muito solícitos para comigo, coisa de primeiro-mundo, de quem realmente sabe o que é “qualidade total”. Parece mágoa, mas é que, como co-editor do fanzine Hiperespaço, escrevi cartas e mais cartas às distribuidoras de filmes no Brasil, diretores, etç, e nunca obtive se quer uma resposta negativa. E não é que os americanos são “bonzinhos”, é que eles sabem  realmente dourar e vender a  pílula.

Mas emfim, na carta (veja figura- Clic Here to see ILM's Letter), Lorne Peterson foi de uma atenção verdadeiramente sem tamanho, desenhando de punho uma mini-planta da maquete original e marcando suas dimensões (veja figura), de quase 3 metros de comprimento. Ainda “spreiou” a cor original da maquete da ILM  numa folha e, I couldn’t believed that, me enviou uma foto polaroide da mesma.

 

Agora sim, podia iniciar minha construção.(Clique na Planta para ver Maior/Clic on Blueprint to see Larger)

Desenhei a planta em escala real (minha maquete teria apenas 1 metro), com todas as vistas necessárias, posicionamento das 13 turbinas, e detalhes da torre de comando(ACIMA).

Construí a estrutura básica com perfis de alumínio anodisado, com longarinas de acrílico de 3mm e duratex (veja foto), e cobertas com chapas de acrílico 3mm, revestidos por centenas de pequenos quadrinhos e retângulos de platicard  de1mm, simulando a chaparia do gigantesco casco da nave (veja foto).

As turbinas, feitas de tubos de pvc de diversas bitolas, revestidos com papel alumínio nas faces internas, foram iluminadas por lâmpadas piloto de 12v. As pontas foram cobertas com papel vegetal, pintados, para apresentar uma luz difusa, mais “na escala”.

Além disto, coloquei uma caixa central de polyestireno no interior da nave, também revestida por dentro de papel alumínio, com 3 lâmpadas de 12v, da qual “emanavam” mais de duas centenas de fios de fibra óptica, serpenteando pelo interior da nave e indo aportar em diversos pontos de suas superfícies laterais, das torres etc. Isto, simularia depois as milhares de”janelas” mostrando a iluminação interna, como uma metrópole vista à noite. É o que dá o senso de escala em modelos deste tipo.

A parte mais difícil foi o detalhamento, mas também a mais criativa, a mais atraente. E tome horas e horas de trabalho solitário.

Cortei milhares de retângulos e quadrados de acrílico e plasticard de diversas espessuras. Com limas de borda quadrada, de diversas espessuras, prendia várias peças de uma só vez num torno, e limava reentrâncias na mesmas. Depois, era só colar umas sobre as outras, sem nenhuma simetria, e tinha uma estrutura que lembrava também uma metrópole gigantesca, vista  por cima.

Na parte de baixo, os detalhes, além  dos mencionados, tinham de dar uma aparência de ‘casa de máquinas” e não de cidade gigante. Aí, me vali de tudo que se possa pensar: peças plásticas de barbeadores, chips, peças eletrônicas, caninhos e tubinhos, peças de laboratórios e, muitas, muitas peças de kits Revell de navios de guerra, tanques, aviões e  até de motos,  sempre com o cuidado de simular um  senso de escala, de “funcionalidade real” às intricadas estruturas, de esconder e/ou camuflar as origens das peças e, claro, simular ao máximo possível, o que via nas minhas fotos, desenhos e sessões de Super-8 privê.

Tudo pronto e testado (inclusive encaixe para um suporte metálico, alçapões camuflados para se ter acesso às pequenas lâmpadas no caso de uma reposição,etc) passei à pintura e wheatering.

A nave foi pintada à aerógrafo (o meu é um Badger de dupla ação) e tinta acrilica cinza metálico fosco claro. Algum envelhecimento e desgaste foi feito nos métodos tradicionais (escorrendo tinta um pouco mais escura pelas reentrâncias e baixos-relevos e limpando-se os excessos) e “clareando” alguns pontos em alto-relevo, de forma bem suave, indelével.

Os fios finos para prover a eletricidade, correm por dentro do cano-suporte, e são ligados em um pequeno transformador 110-12 volts.

Acho que consegui um bom resultado (veja fotos diversas), pois publiquei matérias sobre a maquete em diversas revistas nacionais e estrangeiras. Críticas são sempre bem-vindas.

Abaixo, o modelo original da ILM, que custou mais de 100 mil dólares, tem 3,00 mts de comprimento e mais de 20 mil pontos luminosos.(outras fotos do modelo original na Galeria Naves)

 


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