ALAN MOORE

ALAN MOORE


Holismo e Caos em Big Numbers, a magnus-opus incompleta de Alan Moore   

Holysm and Chaos in Big Numbers, the uncompletted Alan Moore´s magnus-opus

A figura é no mínimo esquisita e até anacrônica : um gigante de cabelos e barbas longos, tipo guru indiano , usando um monte de anéis  e de voz imponente.

É Alan Moore,  reputado como o maior gênio que os Quadrinhos já conheceram.

Nascido em Northampton, Inglaterra, de onde quase nunca sai,  em 18 de novembro de 1953, Alan Moore revolucionou os quadrinhos quando publicou a sua série Watchmen (com o artista Dave Gibbons), na qual desconstruiu o gênero super-herói, que classificava de fascista.

Adepto do anarquismo, nos brindou ainda com V de Vendetta (David Lloyd); A Small Killing (Oscar Zarate); Do Inferno (Eddie Campbell) – redundante sucesso  que Hollywood tentou repetir nas telas, com Brad Pitt no principal papel -, e outras obras, inclusive em prosa – Voice of the Fire - e CDs de suas performances teatrais, onde se envereda pela Magia, que passou a cultuar também – embalado por cigarros de haxixe e imerso nas pesquisas “dark” que teve de fazer nos 10 anos que gastou escrevendo From Hell.Atualmente está concluindo com a desenhista, e sua atual esposa, Melinda Gebbie, o que chama de sua primeira pornografia, Lost Girls – três prostitutas, vindas dos contos de fadas, Dorotty (O Mágico de Oz), Wendy (Peter Pan)  e Cinderela, contam-se suas estórias num hotel decadente, no período da 2ª  Guerra.

Mas além da Magia, Alan Moore nunca deixou de ser racional – já foi até chamado de “o shaman racional” - ,balanceando suas pesquisas com ciência, muita ciência.

Assim é que  a matemática dos fractais e a teoria do caos foram duas “modas científicas” que o envolveram com o mesmo clamor da Magia quando levou dois anos forjando aquela que deveria ser sua obra-prima, a série Big Numbers.

Infelizmente, só dois números foram publicados, com magistrais desenhos foto-realistas de Bill Sienkiewicz, num esquema de auto-publicação –pela extinta Editora Mad Love, criada pelo próprio autor. Desavenças com o gênio – muito exigente em seus hiper-detalhados roteiros, onde descreve até mesmo o ângulo em que a cena deverá ser desenhada – afastaram Bill da imensa empreitada. Seriam 12 volumes num esquisito formato quadrado (26X26 cm), totalizando 480 páginas.

O desenhista (então assistente de Bill) Al Columbia tentou dar continuidade ao projeto, mas quase pirou diante de sua grandiosidade e complexidade, largando tudo pelo meio  (do terceiro número) e ,segundo dizem, destruindo os originais (a revista americana Submedia nº 1 chegou a apresentar algumas amostras ).

Lamentável para os muitos fãs que, como eu,  têm atração por esse tipo de ciência alternativa e instigante.

O diretor de cinema inglês Michaell J. Bassett tentou transformar a graphic-novel numa série para a TV, tendo inclusive gravado exaustiva “conversa” com Alan sobre a adaptação do roteiro (Bassett compilou tudo em 280 paginas de transcrição e chegou a publicar uns dez por cento delas na web. Veja Links). Mas o projeto também gorou.

Agora se fala numa provável re-adaptação, com computação gráfica e fotografias, tendo como parceiro o artista italiano José Villarrubia, que já fizera com ele outra série, Promethea,  também envolvendo Magia. Deverá ser bancada pela Top Shelff Comics – que esteve às portas da bancarrota e, num esforço digno de nota empreendido pelos fãs e  clientes, conseguiu através da venda emergencial e maciça de seus álbuns, numa campanha pela Internet, angariar em dois dias o numerário necessário para saldar suas dívidas e voltar à ativa.

Muito já se falou de Moore , sua biografia e suas outras obras. Mas quase nada de Big Numbers,  que se  se tornou  verdadeiro cult .

Em entrevistas diversas à revista The Comics Journal (principalmente uma série de tres, nos números 138, 139 e 140) e outras, Moore tem expressado o seu dissabor em ver esta sua obra inacabada, e o quanto ela representa para ele.

A Teoria do Caos ganhou o público através de um livro do cientista James Gleick e pode ser resumida na já batida frase: “quando uma borboleta bate as asas no Brasil, faz chover na China”. Traduzindo: dado um sistema dinâmico, qualquer mínima alteração nas suas condições iniciais, pode produzir imensas  alterações nas condições finais.

Se você mira uma arma para um alvo a dez metros de distância, se errar a mira por um milímetro, a bala certamente se afastará do alvo bem mais do que isto.E quanto mais afastado ele estiver, maior será a alteração.

É uma ciência holística, não determinística e até mesmo pós-moderna, que tenta expor e explicar um comportamento tão desordenado quanto paradoxalmente governado pela ordem.

Seu instigante mistério a propalou para dentro da cultura pop, na “nova psicodelia”, musica pop, arquitetura, estampa de camisetas e até mesmo nas telas dos PCs, que estão simulando “viagens de ácido” virtuais –  pelo menos os efeitos colaterais são mais suportáveis...

Mas o que Alan Moore  queria com Big Numbers era buscar os rudimentos de uma visão fractal da sociedade, através da estória de  40 personagens de uma cidade de interior (Northampton, por coincidência)  e o impacto causado pela construção de um gigantesco shopping center ( ou Shopping Mall, como se chama na Grã-Bretanha) no seu coração. Verdadeiros totens do capitalismo turbinado, templo do consumismo obsessivo, esses assépticos e paradisíacos mastondontes de concreto, inox e blindex são ambíguos nos sentimentos que despertam: o que têm de atrativo ao criarem uma plenitude artificial, têm de repugnante em sua banalidade plástica.Como os big-macs globalizados com o mesmo gosto transgênico  seja numa vielazinha de Shangai, seja numa strass de Berlim.

E é a vida mundana ou pelo menos uma fração dela, deste enorme elenco de personagens, sua interação, desdobramentos e deslocamentos, que Moore quer explorar nesta que poderia ser, tranqüilamente, uma obra em prosa “mainstream” – como ele fez em Voice of the Fire.

Mas deixemos o próprio mago falar: “Big Numbers pode ser um romance mainstream no sentido de que é uma obra desgeneralizada. Eu sei, vocês poderiam dizer, “É uma soap-ópera”, ou “ficção urbana”, ou qualquer coisa que o valha. As pessoas tendem a criar gêneros para se sentirem mais confortáveis em sua mentalidade reducionista. O todo é imenso e intrincado, assim, vamos quebra-lo em pequenos pedaços, mais digeríveis.

Em Big Numbers não temos só desesperança e desolação, não. Temos muito humor também, é a vida real, emfim. E  não penso que o efeito final da obra seja trágico ou depressivo. Estou tentando ser franco com a comunidade a minha volta. Nela tem muita crueza, eu sei. Mas não é uma crueldade opressiva, intrínseca ou somente isto. Como eu disse, é como a vida.

Todos as personagens têm sua própria estória se desenrolando através dos 12 números. Algumas são” para baixo” outras são “para cima” e até engraçados. O tom geral pretende ser de otimismo. Se você consegue observar o lado mais cruel da existência  com todas as suas implicações e ainda assim, manter o equilíbrio e o otimismo, então é o otimismo é que tem valor. E é isto que pretendo mostrar em Big Numbers. Pode  levar os doze números para se chegar a esta conclusão, mas  ela está lá.

Os personagens podem parecer desconectados uns dos outros, sob o ponto de vista  coletivo, de objetivos comuns  pois, como escreveu Karl Marx “todas as nossas instituições sociais estão alicerçadas na interdependência de pessoas totalmente indiferentes umas da outras”.Há muito de verdade nesta concepção, mas não é” a verdade”. Tudo é muito mais complexo. As pessoas tentam sim, se conectarem, se interagirem em diversos níveis. A medida que a estória vai se desenvolvendo, iremos ver essa interação, e um tanto de desconexão também, solidão, isolamento...É a vida.

No primeiro número  tento apresentar a comunidade e o quão frágil ela é, composta de pequenos fragmentos. Há o cara negro, Healdie, um tipo terrivelmente depressivo. Depois, o seu filho, com todo o carinho, cuidado e amor que demonstra de forma inequívoca pelo pai. Pequenos elementos como estes, e iremos construindo a dimensão humana, até chegar à personagem principal, Christine, voltando para casa depois de 10 anos, para tentar construir relações há muito perdidas.

Como adiantei, não será uma visão desesperançada, o que eu quero é mostrar a fragilidade de uma comunidade humana, de suas relações, de repente eclipsadas pela sombra negra de um gigantesco e inumano shopping, que só representa o contrastante materialismo econômico, de forma ameaçadora e cruel. E aqui, não é a nave  leviatânica de Galactus pairando sobre Nova Iorque para destruir tudo, ao menos que Os Vingadores venham nos salvar. Será algo tão dinâmico e excitante quanto isto, mas não tão ridículo, se me entende.

Este será o tema central da obra.

E estamos lidando aqui com uma comunidade que existe na Inglaterra recente (se refere a 1989) e que, portanto, já está irremediavelmente degenerada. Afinal, foram 10 anos  de Margareth Thatcher, culminando um século  dos que a precederam. Já estamos todos fodidos. É o século 20, é a condição humana. Nada de novo nisto.

Mas se já estamos fodidos sem conserto, aí é outra estória. Não temos certeza. E Big Numbers terá  esta incerteza como parte do seu escopo. Há a possibilidade de reparos? Vamos ver...

O que eu quero é mostrar todos os vetores que formam a sociedade moderna, da forma mais honesta que puder conceber num trabalho de ficção.Veremos uma sociedade se fragmentando aos caquinhos, num caos crescente à medida que a série progride, um retrato franco da sociedade contemporânea inglesa.

Isto tudo, claro,  num reflexo do que ocorre  hoje igualmente em escala global, dia-a-dia, com tudo de cabeça para baixo.Guerras,fome,corrupção...O mesmo na vida das pessoas, relações que se desfazem,  situações econômicas que se desmoronam, empregos que são perdidos, vidas,  carreiras, felicidade... As pessoas vivem compulsoriamente num fluxo constante, o que os amedronta e torna suas vidas miseráveis e solitárias. Quero mostrar este fluxo e esta solidão, e tentar extrair algo ao menos positivo deste estado de coisas. E a matemática do caos, como metáfora, veio a calhar. É como tentar explicar isto através da ciência da turbulência e do  Caos.

                                                                                                                        Alan e Melinda Gebbie 

 

Há uma variedade  enorme de Caos. Tocarei nos fatores econômicos que causam o Caos (por exemplo: se Mrs. Thatcher corta drasticamente os gastos do governo com a saúde, muitos hospitais para doentes mentais são fechados. É o que está ocorrendo justamente agora em Northampton e no resto do país. Pacientes mentais estão sendo retornados aos cuidados da comunidade, e esta não se importa mais. E os doentes ficam perambulando pelas ruas, perdidos em si mesmos, não causando nenhum dano a ninguém que não seja a si próprios. Medidas econômicas em Westminster (a sede do governo), aparentemente mínimas, causando uma grande merda no resto do país, num efeito capilar geometricamente progressivo). Puro Caos. Caos é isto também, complexidade extrema. Uma soma enorme de vetores interagindo simultaneamente  por caminhos surpreendentes, até resultar nesta malha imprevisível e misteriosa. Um redemoinho de cores se misturando e formando cor nenhuma,  como a imagem de um mármore. Aparentemente cor nenhuma...

Quando eu era criança, tinha uns livrinhos que mostravam as pirâmides sociais. Isto é o que fazem as enfermeiras. Isto o que fazem os policiais. E Deus ficava no topo, com a rainha bem próxima e  o primeiro-ministro um pouquinho mais abaixo...A posição de cada um era categórica. Trinta anos depois tudo se tornou tão complexo que é impossível e mais ridículo ainda tentar compor uma pirâmide destas. Não há mais pirâmide. Só o fluxo turbulento do Caos. Mas eu tentarei sugerir as possibilidades de uma estrutura, de uma nova pirâmide permeando o âmago deste Caos.

O mundo hoje é tão pequeno  e tão auto-sensitivo , que qualquer mínimo evento redunda em repercussões globais. Se você atira uma pedrinha no espelho de água de um lago calmo, produz ondas em círculos concêntricos. Se atira duas pedras, serão dois pontos geradores de ondas. Mas onde uma  se cruza com a outra, forma-se uma complexidade, digamos assim, que não pode ser atribuída de maneira alguma ao choque da pedra,  ou das pedras com a água.É disto que o Caos procura tratar, dos níveis de complexidade que não somos capazes de, previamente, abarcar.

A premissa básica de Big Numbers é a de que somos todos simultaneamente ártifices e vítimas  deste processo e,  sob esta ótica, devemos ser responsáveis, embora culpa ou julgamento não sejam os caminhos apropriados para isto.  Somente nos  impedem de ver a interação maior deste somatório de vetores, de pessoas, e  de atitudes políticas.

Pode parecer insano de minha parte, mas o que eu e o Bill queremos é mostrar às pessoas uma maneira mais construtiva de enxergar e interagir com este Caos.

Não adianta a Esquerda imputar a culpa  da miséria humana à Direita e vice-versa. A simples aceleração tecnológica do mundo, nos levou a este ponto de esfervecência em que nos encontramos. Somos passageiros involuntários de  uma locomotiva em marcha desenfreada que se torna maior e maior à medida que acelera. E piramos só de antever uma provável colisão, ou até  mesmo pela velocidade  que viajamos.                           Temos todos muito medo do Caos e eu quero sugerir, não uma resposta a ele, não o segredo do Universo, mas simplesmente novas maneiras de encará-lo e ao mundo em volta que nos possam ser mais úteis.

Faço isto lidando com personagens complexos e quadridimensionais, que riem e que choram, que nunca são completamente felizes – quem o é? – coisa que os Quadrinhos têm evitado, em nome da “clareza”. Afinal, pelo “estilo Marvel”, se um personagem não pode ser descrito em no máximo 35 palavras, não será um bom personagem. Verdadeira  antítese do que estamos fazendo. Mesmo quando o leitor chegar ao final da série, ele não será capaz de descrever totalmente nenhum dos personagens sequer. Há pessoas que conheço há 20 anos e até hoje não consigo descrevê-las completamente.

Estou tentando fazer isto em Big Numbers sem o uso de balões de pensamento, de legendas, somente o que as pessoas dizem e o que fazem. Estou pedindo aos leitores que se relacionem com estas personagens como se as tivesse encontrado casualmente e pudessem pensar delas o que quisessem.Mas que pensassem, que se preocupassem com elas, mesmo com as que não apreciassem.. À medida que vou lentamente articulando e mostrando a sua interação, a teia de conexões que vai se formando pelos atos e palavras de cada um, os leitores se verão fazendo um” upgrade” do seu nível de percepção, inconscientemente. Personagens que apreciará logo de cara, se revelarão monstros quando o conhecerem “verdadeiramente”, assim como o contrário também ocorrerá, na medida em que for se abstraindo da unicidade de cada um e vendo o “todo”. É a minha experiência de vida.

Poderá parecer estranho e até inconclusivo ás vezes, porque não pretendo nem guiar o leitor, nem amarrar todas as pontas soltas aqui e ali. Algumas coisas deixo irem rolando por si próprias, mas de uma maneira estruturada. Soa até contraditório: ordenar a desordem. Mas é o meu desafio. Personalidades desordenadas, vidas desordenadas, sociedade desordenada...Tentarei mostrar toda esta desordem em sua plenitude e, ao mesmo tempo, sugerir,  através desta malha acochada, uma nova maneira de encarar o conceito de desordem.

Tudo isto parece terrivelmente nebuloso e vago, mas se eu pudesse definir tudo em algumas sentenças, não precisaria escrever e planejar as quase 500 páginas de Big Numbers.

Elas estão planejadas na minha parede, em  uma folha imensa de papel A-1, com doze colunas verticais e 40 células horizontais. Cada uma das células é de uma personagem e cada uma das colunas, um dos exemplares da série, ou seja, uma planilha de 480 quadrados. Em cada um deles, em garatujas que só eu consigo decifrar, descrevo o que acontece com cada um dos 40 em cada número. Logicamente que é sempre uma obra aberta, que algumas pequenas alterações vão ocorrendo à medida que vamos fazendo a série. Mas tudo está rigorosamente “plotado” desde o início. Afinal, gastei dois anos só me preparando, pesquisando e planejando esta série. Até o shopping é uma personagem. No meu gráfico tenho o seu desenvolvimento do projeto à construção, passando pela   inauguração, ao emprego dos funcionários, etc.

 Personagens imaginários também terão o seu papel.  Um imigrante asiático, ladrão de lojas, tem um modelo de estrada de ferro em seu porão, um diorama, com  trenzinho elétrico e pequenos bonequinhos plásticos de 12mm de altura na plataforma. Ele cria diálogos imaginários com os bonequinhos e eu também lidarei com esse  microcosmo que ele mantém.

Haverá uma partida de RPG que os filhos de um  arquiteto jogarão, criando diversos personagens imaginários, e seguiremos  igualmente a sua progressão .

 Mostrarei  o que se passa na cabeça das personagens, em nível de pensamentos e de fantasias.

Tem tudo a ver com  a matemática, 40 personagens, incluindo os imaginários, que serão como números , tomando parte na estrutura geral justamente como a imaginação integra e até molda a realidade. O padrão geral de todas esta personagens e sua interação é a estrutura de Big Numbers.

Desejo comunicar com ela que os padrões são o próprio enunciado maior.Em termos de narrativa quadrinizada é mais ou menos o seguinte:  cada quadrinho emanará seu próprio significado, desenvolvendo a estória. Mas, diferente do convencional, de repente teremos uma cena de uma fumaça de cigarro se espiralando no ar, de um copo  de vidro se espatifando no solo, ou de gotas de leite em redemoinho ao se misturar ao chá preto.O leitor se deparará, ao virar a primeira página do segundo número, com uma figura  hiper-realista ,de página inteira , de um copo de café justamente após o leite ter sido acrescentado. Qual a informação semiótica que pretendí com isto?  No que esta cena contribui para o progresso normal da estória?  É uma nova camada de significado.  A princípio, apenas um padrão casual formado pelo redemoinho do leite se dissipando no meio do café preto. Mas quando chegar ao final da leitura de toda a série, quando a matemática fractal for exposta, os leitores voltarão atrás  para rever aquela cena  e compreende-la  plenamente.  Ela será redefinida, porque agora será vista num contexto maior, em relação à fumaça do cigarro, ao copo quebrado, ao papel amarrotado e a  todos os outros padrões aparentemente desconexos e  ao acaso mostrados nas páginas da série.

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